“Manual do corre”: como começar a divulgar a sua música na internet.

   Salve salve! J.V aqui.

   Você tá começando seu corre na música agora? Ou já tá na pista há um tempo e quer alinhar a rota pra ver se tá no caminho certo?

   Talvez eu possa te ajudar a começar esse jogo de uma maneira organizada.

   Primeiro, vamos falar sobre o que é ser artista, certo?

   Na real, como é a vida de quem grava música?

    Se você perguntar isso pro Google, a resposta que ele dá por I.A automática é: ‘A vida de quem grava música pode ser desafiadora, com longas jornadas de trabalho, instabilidade financeira e a pressão por resultados.’ – É, acho que isso só é bom se você já tem uma grana entrando, né? 😕

   Agora, se eu te perguntasse o que você acha que é a vida de um artista, provavelmente a primeira imagem que vem na sua cabeça é o lifestyle, o luxo. mulheres e fama.

Calma... não é bem assim

   A grana, a fama, a fortuna. Nave importada, mansão na praia e show lotado pra 10 mil pessoas.

   Por mais distorcida que possa ser esta visão, está tudo certo pensar assim. É essa a imagem que seus ídolos, sua inspiração, passam para o público em geral.

   Poucos deles abrem o jogo sobre os problemas diários. A pressão de entregar um som foda atrás do outro. A pouca remuneração e a dificuldade de ter uma turnê de shows bem remunerados. O trampo de formiguinha como artista independente que deve ser cultivado por anos. A estrada longa que muitos percorreram pra chegar onde estão hoje.

   Ser um artista estabelecido vem com uma carga de estresse e uma pressão constante. Ser um artista que busca seu espaço também pode ser!

   Ok, nem tudo precisa ter tanta pressão!

   Não tô aqui pra te desanimar, não. É só pra deixar claro que ser artista no Brasil e nos dias atuais é uma decisão ousada e que envolve muita coragem, cautela e riscos. Talvez seja exatamente essa a graça.

Você tá pronto pra esse corre?

   Se você tá lendo isso, provavelmente não tem um empresário cuidando da sua agenda. Nem uma gravadora bancando seu projeto.

   Você tá começando sua carreira de forma independente.

   É exatamente por isso que eu criei um guia inicial básico, que eu vou te passar agora. Não existe uma regra ou “jeito certo” de começar. Muitas pessoas viralizam na internet sem seguir regras, mas quero apenas te apresentar algumas ideias aqui neste post, e caberá unicamente a você considerá-las válidas para sua caminhada ou não.

   Basicamente, você tá voando solo rumo ao desconhecido. 

   Ainda que o caminho seja longo, se promover de forma independente hoje em dia não é tão difícil com todas as ferramentas que a gente tem na mão. Internet, redes sociais, guias, YouTube, SoundCloud… a lista é grande.

   Mas antes de sair divulgando seu som, você precisa arrumar a casa. Deixar o fundamento pronto.

   É aí que entra o nosso manual. Mas antes, deixa eu te mostrar os vacilos mais comuns que a galera comete.

 

Os 5 vacilos mais comuns🚫

  1. Sem link pra TODAS as redes sociais.

  2. Sem biografia (quem é você?).

  3. Falta informação de contato.

  4. Fotos desatualizadas ou com a sensação de “perfil abandonado”.

  5. Sem um “Chamado pra Ação” (o famoso CTA) nos seus perfis.

1. Sem links para as redes: Toda hora eu recebo link de música de artista, geralmente do SoundCloud ou YouTube. Quando eu curto o som, a primeira coisa que eu quero é ouvir mais e saber mais sobre o artista. Ou pelo menos ficar por dentro das novidades. Faz sentido, né? O bizarro é que mais da metade dos artistas não tem link pra todas as suas redes sociais nessas páginas.

2. Sem uma biografia curta: Eu chuto que mais de 80% não coloca nem o nome real ou de onde é numa bio curta que diz quem é o artista.

3. Falta informação de contato: Sim, CONTATO! Um monte de artista não coloca um e-mail pra shows ou propostas de negócio. Como que um contratante ou outro artista vai te achar pra trampar contigo, meu parceiro!? 🤓

4. Perfis incompletos: Quando você cria um perfil numa plataforma, ela te pede um monte de informação. Mesmo que não seja obrigatório, PREENCHA TUDO. Nome, cidade, site, redes, contato. Deixa a casa arrumada pra ser mais fácil te encontrar.

5. Sem um “Chamado pra Ação”: Frases de “chamado pra ação” (CTA) são MUITO importantes nos seus perfis. Pode ser qualquer coisa como:

  • “Conteúdos sobre música diariamente”

  • “Curte minha página no Facebook pra ficar por dentro dos lançamentos”

  • “Meu novo single já tá na pista! [link do Spotify]”

   Às vezes a pessoa só precisa desse empurrãozinho pra te seguir ou te dar o e-mail em troca do download de um som.

 

Desmontando o Manual do Corre

Agora vamos detalhar os pontos deste guia rápido

1. Biografia (A sua identidade)

   Ter uma bio bem escrita é fundamental pra sua carreira. Você não escreve ela só para seus fãs. Você escreve, principalmente, para diretores musicais, produtores de gravadora, jornalistas, agentes, produtores de evento, etc.       Uma boa bio é uma ferramenta de venda.

Existem 3 tipos de bio:

  • A versão curta: Basicamente o primeiro parágrafo da sua bio completa.

  • A versão “Telegram”: Aquela de uma linha, tipo: “Zé da Silva – Cantor/compositor e artista independente de São Paulo, SP”. É a que você usa no perfil do Instagram ou Twitter.

  • A versão completa.

   Quando você tá começando, provavelmente não tem grana pra pagar um profissional pra escrever sua bio. Então, pega a visão de como fazer você mesmo.

   Lição número 1: Estrutura é tudo!

   Seu primeiro parágrafo tem que ser um resumo de tudo que é importante. Os pontos pra destacar logo de cara são:

  • Nome completo + Nome artístico + Tipo de artista

  • De onde você é

  • Lançamentos recentes

  • Conquistas (mesmo que pequenas)

  • Citações (se alguém importante falou do seu som)

  • Números de plays, downloads, seguidores (só se forem bons)

  • Próximos lançamentos

  • Colaborações (se forem relevantes)

   Agora, deixa eu te contar um segredo… 🤫

   A real é que a maioria das pessoas não tá nem aí pra idade que você começou a fazer música, ou se seus pais eram músicos (a não ser que eles sejam famosos). Elas não ligam pro porquê de você fazer música ou quais seus sonhos. Na verdade, a maioria dos leitores nem passa das 300 palavras antes de pular a página.

   É por isso que tudo que for importante tem que estar no começo.

   Exemplo de como escrever a Bio:

Zé da Silva é um cantor, compositor e artista independente de R&B de Barueri, SP. Seu último EP, “A Caminho do Topo”, teve mais de 3.500 downloads e foi destaque em blogs como Rap Mais e Sobre Funk, que compararam seu som a artistas como BK e Djonga.

Agora, com mais de 15.000 plays no SoundCloud e 35.000 seguidores somando Instagram e Twitter, Zé está trabalhando em seu segundo projeto, “Vim Pra Ficar”, previsto para Julho de 2026. Neste projeto, ele colabora com artistas como Michael Jackson e conta com produções de Radio Moleque e Rick Rubin.

Zé nasceu em…

   Percebe como um produtor de evento pode simplesmente copiar e colar os dois primeiros parágrafos para o site de um show seu? Ou como isso pode convencer alguém de uma gravadora a ouvir mais do seu trabalho? E o mais importante: percebe como o terceiro parágrafo fica “chato”? É aí que 90% das pessoas desistem de ler.

2. Site Pessoal

   Ter um site pessoal mostra que você leva seu corre a sério. É o seu terreno próprio na internet. Se o Instagram e o YouTube sumirem amanhã, você sempre terá seu site pra direcionar seus fãs. Lá você pode vender merchandising, coletar e-mails, anunciar shows, e muito mais. Aqui você reúne todas as informações sobre o seu trabalho.

3. Redes Sociais

   Seu cartão de visita digital. A casa tem que estar arrumada. Use sua bio curta ou “Telegram”, coloque o link do seu site ou da sua música, uma chamada pra ação e suas informações de contato.

4. Canais de Música

   YouTube e SoundCloud são obrigatórios. Use as mesmas dicas das redes sociais, mas adicione links para TODAS as suas outras redes e use uma chamada pra ação diferente na descrição de cada música (ex: “Baixe esse som de graça aqui [link]”).

5. Network e Contatos

   Essa é a parte que eu queria escrever em caixa alta. NETWORKING! Seus contatos, pessoas que vão fechar com você. É o que vai fazer seu som ser ouvido pelo mundo. Crie uma lista de contatos de blogs, canais do YouTube, playlists, rádios. Quando você lançar um som novo, é pra eles que você vai mandar. Você desenvolverá um trabalho constante de filtragem de contatos, valorizando sempre aqueles com maior qualidade e engajamento. Ter uma lista com 10 contatos estratégicos e engajados é melhor que uma de 1000 que ninguém te responde!

6. Distribuidoras Digitais (CDBABY, TuneCore, etc.)

   Você é um artista independente, então você também é seu próprio empresário. As distribuidoras são as empresas que colocam sua música no Spotify, Apple Music, Deezer e te pagam os royalties. Pesquise sobre elas. Você vai precisar de uma.

7. Filiação ao ECAD

   No Brasil, o ECAD (e as associações que o compõem como UBC, Abramus, etc.) é quem arrecada e distribui seus direitos autorais de execução pública. Quando sua música toca no rádio, em um show, na TV. Pesquise sobre isso. É o seu dinheiro.

8. Construa sua Lista de E-mails

   Por último, mas o mais importante: a lista de e-mails. Pode acreditar, essa será uma das suas ferramentas de marketing mais poderosas. O e-mail é muito mais pessoal que um post na rede social. A conversão é muito maior. Comece a coletar os e-mails dos seus fãs desde o dia zero. Isso encurta o seu alcance até o público, e agora você pode conversar diretamente com as pessoas interessadas na sua música em vez de apenas pagar anúncios.


Se você achou esse post útil, já pode começar aplicar esses conceitos na sua jornada. O corre é longo, mas podemos sempre trabalhar de forma organizada.

Tamo junto!

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